
Consultor de IA, fundador da Co.Inteligência. Professor de Comunicação e Jornalismo @Insper. Antes: @ICFJ, @marshallproj, @gizmodobr. BSB-SP-NYC-CWB-SP.
São Paulo, Brasil
Joined March 2007
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Este é o melhor vídeo até agora sobre alguns resultados bizarros nas urnas. Coisas que são mais difíceis de acontecer que ganhar a Mega Sena 16x seguidas, usando simulação de Monte Carlo.
Isso aqui é a definição de slippery slope. Vocês realmente querem que uma empresa estrangeira fiquei responsável (e seja responsabilizada) por vigiar e censurar esse tipo de post? Cuidado com o que desejam
MPT processa Meta em R$ 50 milhões e quer remoção imediata de conteúdos de assédio eleitoral glo.bo/5v549vp
Pedro Burgos retweeted
Muita gente, tentando encontrar provas de uma fraude que acha que existe mas que não consegue demonstrar, tem apontado os votos sem biometria como evidência de comprometimento do sistema de votação.
É um erro, fruto de desconhecimento, na melhor hipótese, ou de má-fé, na pior.
Vamos lá.
O Brasil, ao contrário de muitos países, tem um sistema de alistamento eleitoral obrigatório. Isso significa que o cidadão precisa obrigatoriamente se cadastrar na Justiça Eleitoral e esta, por sua vez, tem obrigação de manter este cadastro atualizado.
Em 2008, iniciou-se o processo de coleta de biometria, com o objetivo de assegurar maior segurança no processo de votação. Só em 2014 foi utilizada nacionalmente e, até hoje, sem cobertura integral no país. Mas, é bom lembrar, biometria é uma coisa; a urna eleitoral, outra. Biometria é uma etapa de identificação de eleitor. A urna, por sua vez, serve para coleta e registro do voto. Não há conexão entre a biometria e a urna por motivos óbvios.
A diferença é importante porque é possível identificação do eleitor por outra forma. Quais? As que qualquer cidadão usualmente utiliza para fazer QUALQUER coisa: documento oficial com foto que comprove que você é você. Tanto é assim que um erro na biometria no momento da votação NÃO autoriza o mesário a impedir que o cidadão vote. Se ele puder ser identificado de outra forma (documento com foto…), o mesário irá conferir e deixá-lo votar.
E vejam: para as eleições de 2026, 20% dos Municípios brasileiros ou não contavam com biometria ou contavam com modelo híbrido (algumas seções com, outra sem). E por que? Porque 1) a Justiça Eleitoral não conseguiu concluir o recadastramento; 2) as pessoas não fizeram o cadastro biométrico.
Isso significa que, descontados os erros de leitura da digital (muito comuns), em pelo menos 20% dos municípios brasileiros deveríamos esperar um número muito significativo de votos sem identificação biométrica.
Isso é um problema? NÃO!
Percebam: além de não ter sentido diante do que já expliquei, para falarmos de fraude precisaríamos da participação de milhares e milhares de mesários em todo o Brasil — voluntários convocados pela própria Justiça Eleitoral, que teriam que praticar uma fraude coordenada inclusive diante dos FISCAIS do partido supostamente prejudicado, que têm liberdade e DIREITO de conferir o processo de liberação de eleitores e de anotar incidentes na ata da seção eleitoral.
Pergunto a vocês: em quantas seções eleitorais fiscais do PL registraram incidentes de pessoas votando de forma indevida?
Pedro Burgos retweeted
Circula no X a alegação de que Flávio estava eleito às 17h e que a prorrogação virou a eleição.
O relatório usado como prova compara grupos de urnas pelo horário de encerramento. Isso não mostra o resultado nacional às 17h. 1/14 🧶
Há algumas semanas eu apanhava da esquerda aqui por "defender a Meta". Agora estou tomando pau da direita por defender os resultados do TSE. As situações são bem similares, apesar de os lados dificilmente admitirem.
Há uma grande demanda de explicação para algo à primeira vista inexplicável. Aí as pessoas se agarram a falhas que são pouco representativas, cherry picking e até algumas fake news.
Sobre a Meta:
o engajamento do Nikolas é à primeira vista absurdo? Não faz sentido ter mais engajamento que a Kylie Jenner, “matematicamente impossível", como virou até assunto de reportagem de portal, certo?
Mas é plausível. Pelas circunstâncias, tipo de conteúdo, quem compartilhava, quão engajada era a base, etc.
Tanto é que uma conta de sete semanas de vida e muito menos seguidores (o Revelando) teve mais engajamento que Nikolas em alguns dias do segundo turno.
Como o algoritmo da Meta não é transparente, a explicação que a esquerda achou pra algo tão implausível foi: "só pode ser mutreta, tá favorecendo a extrema-direita".
TSE:
Tá circulando um monte de print de votação do Flávio em regiões mais à direita (como região dos Lagos no RJ), crescendo pouquíssimo (tipo só 12 votos), enquanto Lula explodindo. É bizarro? Bizarríssimo.
Mas é consistente com outras explicações que a gente viu no resto do Brasil: a antecipação dos votos da terceira via, o "já ganhou" que não converte versus a campanha do vira voto do outro lado, diminuição da abstenção, voto das periferias. Tudo explicável. Esquisito? Sim, mas explicável racionalmente.
Mas se a gente só olha uma relação matemática estranha e fala "isso aí só pode ser mutreta" fica menos equipado pra desarmar quando os outros chegam com suas teorias.
"Ah, mas até a Meta admitiu". Não. A Meta admitiu falhas pontuais que não tiveram impacto grande mensurável. Do mesmo jeito que o TSE "admite falhas" em urnas deixando-as ficarem abertas por mais duas horas. Foi um erro, na minha opinião, mas que se você investiga os dados não muda quase nada.
Acho razoável defender algoritmos mais transparentes. Assim como acho que seria ótimo se a gente adotasse no mínimo aquele recibo de papel (o projeto da Bia Kicis de anos atrás).
Não porque eu ache que as eleições foram fraudadas (não há indícios disso), mas porque é bom pra sociedade ter mais confiança nos sistemas que a gente usa todo dia.
"Ah, é matematicamente impossível", "estatisticamente improvável"... É?
Vamos ver o crescimento de Jair Bolsonaro do primeiro pro segundo turno de 2022. Impressionante, não?
Argumentos parecidos. Naquela ocasião, a terceira via grande (PDT de Ciro e Tebet) apoiou Lula. Mas aconteceu fenômenos semelhante com Flávio: a terceira via antecipou o voto. Naquela ocasião, o primeiro colocado no primeiro turno quase perdeu. Desta vez, perdeu. Acontece.
Essa ideia aqui não é boa pra democracia. A eleição já passou. “Isolar na bolha” não vai fazer as pessoas com ideias malucas desistirem delas. Pelo contrário. Ao não serem expostas ao contraditório, vão se radicalizando mais e mais.
Eu acho improvável que se repita o que vimos em 2022, mas a hora de se fazer algo para evitar um novo movimento de radicais na frente do quartel é agora, mostrando a verdade.
O 8 de janeiro não aconteceu por “algoritmo viciado”. Foi porque tinha um monte de gente perdida numa bolha. Deixar ela mais espessa não vai aumentar a chance dela desinflar, pelo contrário.
Patético o pronunciamento conspiracionista de Flávio. Não sabe reconhecer derrota, não entende que fez uma campanha ruim, que era um candidato ruim.
Este foi o movimento do eleitorado americano em direção a Trump em 2024. Aconteceu no país inteiro, à exceção de alguns centros urbanos.
Ninguém é idiota de dizer que este mapa é "estatisticamente quase impossível", porque obviamente eleições não são estatística pura. Não tem "distribuição esperada de votos", ou crescimento mais provável.
Os números ali são resultado de campanha, reação a candidatos, gente votando, etc etc. E é bastante comum que cidades diferentes repliquem uma mesma tendência nacional, em diferentes níveis, respeitadas as diferenças do eleitorado de cada lugar.
Ótimo trabalho do @wlcota detalhando as 106 urnas em que Flávio teve zero votos (seções pequenas, que historicamente votam assim):
g.wcota.me/eleicoes2026/
No primeiro turno de 2006, tivemos
Lula 46,6 milhões de votos
Alckmin 39,9 milhões
Segundo turno
Lula 58,2 milhões
Alckmin 37,5 milhões
Ou seja: já tivemos um caso de um candidato pouco conhecido nacionalmente que no segundo turno, ao ser confrontado com um mais conhecido, acaba perdendo força.
E quando esse movimento nacional acontece, movimentações aparentemente bizarras (ou "estatisticamente implausíveis") acontecem nos municípios.
Exemplo: Bolsonaristas estão reclamando que o resultado em Araruama (RJ) seria um indicativo de fraude. Flávio ganhou a maioria dos votos, mas acrescentou só 12 votos no segundo turno, enquanto Lula virou muitos.
Vamos ver Araruama em 2006.
Candidato
1° turno
Lula 21.480 - 39,71%
Alckmin 21.092 - 38,99%
2° turno:
Lula: 31.637 (61,75%) // +10.157
Alckmin: 19.599 (38,25%) // -1.493
Se tivéssemos Twitter na época, ia ter um monte de gente gritando fraude. Veja, não apenas Lula acrescentou mais de 10 mil votos. Alckmin PERDEU vários. Quão bizarro é?
Só é se você olha não apenas para os números, mas as circunstâncias das eleições, a força das campanhas, a força da máquina, tudo isso. E também quando lembra que o eleitorado em geral é muito menos ideológico ("direita" ou "esquerda") que aqui nas redes sociais.
Enorme parte do eleitorado brasileiro é volátil, e pode mudar um bocado de eleição pra eleição também. A gente sempre viu isso. Lembre-se que nos anos 90, Lula tinha apenas 30% dos votos do Nordeste, era a região mais fraca do PT.
Sobre a diferença de terceira via, Renan tem uma boa explicação:
nitter.cf/Anchovydamissao/status…
Bullshit isso aqui. Se não tem um único "governista" nomeado, se não tem um "on" isso é propaganda oficial pra soar mais moderado que é. Moraes age com anuência completa e irrestrita do governo.
Governistas se irritam com Moraes e Lula diz estar preocupado com discurso de perseguição a Flávio
www1.folha.uol.com.br/coluna…
Pessoas que seguem dizendo que houve fraude "nas horas que teve a parada", ou "na sala segura" ou sei lá. É muito simples confirmar a tese: postem fotos aqui dos boletins de urna e a gente checa se foi computado diferente no TSE. Prometo checar todos que colocarem.
















