@Rodrigoessentei
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Aquele hegeliano
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Deleuze é o cara normal que quer parecer doido, enquanto Hegel é o cara doido que quer parecer normal. Só analisar.
Léxico deleuziano: máquina desejante, corpos sem órgãos, desterritorialização, rizoma, máquina abstrata, devir molecular, etc.
Léxico hegeliano: determinidade essente, ser-para-si, determinado de uma determinidade, suprassunção, negatividade absoluta, essência em-si-e-para-si-essente, unidade inquieta, imediatidade, ser-junto-de-si, ser-dentro-de-si, determinações-de-reflexão, Coisa em próprio, autosubistência, unidade negativa, Ideia Absoluto, espírito, razão observadora, consciência-de-si universal, idealidade, etc.
Hegel ja lançou a Filosofia 2 e ainda tem uma galera na Filosofia 1.
Já deu rapaziada. Esse buffet self-service de posições aí é legal, mas vamo tocar a bola para frente.
10 teses sobre liberdade em Hegel
1. Liberdade efetiva, absoluta ou substancial é: o estar junto de si (bei sich selbst) no seu outro e produzir um mundo, isto é, o manifestar-se como afirmação e verdade de si mesmo. Liberdade em sua realidade.
2. Liberdade formal, abstrata ou em-si: a capacidade/possibilidade de abstrair todo exterior ou seu ser-aí isto é, o poder de suportar a dor infinita e se conservar afirmativamente nessa negatividade. Se identifica com a consciência em si ou Eu. Liberdade no elemento da idealidade.
3. A substância do espírito é a liberdade: o não-ser dependente de um outro e referir-se a si mesmo, assim como o suportar da dor da cisão.
4. A liberdade do espírito é uma conquista perante o outro, uma vitória do espírito sobre ele.
5. O objetivo final do mundo e do espírito é a realização da liberdade.
6. A liberdade tem a infinita necessidade de (i) levar-se a consciência e (ii) até a realidade. Donde nasce o duplo movimento do progresso da consciência da liberdade e a expansão do reino da liberdade.
7. Liberdade se efetiva por meio do ser-aí da vontade singular da pessoa, a propriedade, a primeira forma de realidade da liberdade.
8. O estado é a realização final da liberdade, do objetivo absoluto, e existe por si mesmo.
9. O estado é onde a liberdade realiza sua objetividade e se mantém nela. Por isso o estado é o objeto da história do mundo.
10. O estado forma uma comunidade de existência e quando seguimos a lei, instrumento dele, formamos uma harmonia tal que a contradição entre necessidade e liberdade desaparece.
É muito engraçado pensar que Hegel se empolgava com a compressão que o pistão fazia e com a criação da combustão.
Para Hegel, o ar é um dos quatro elementos (qualidade físicas individuais imediatamente livres) especificamente o primeiro. O ar é a universalidade abstrata, uma identidade consigo abstrata assim como a luz, mas que foi rebaixada a um momento, por isso o ar é grave (Hegel não sabe como a luz e a gravidade se comportam como sabemos hoje).
Na medida em que o ar é matéria, ele oferece uma resistência, porém é uma resistência quantitativa porque ele seguia o esquema de Biot que os gases sob uma mesma temperatura e pressão se dilatam igualmente, o que não é exatamente verdade, mas é uma aproximação. Hegel provavelmente estava na equação dos gases ideais.
Hegel acredita que o ar pode ser posto como intensivo, isto é, pode ser levado a tal ponto que o fora-um-do-outro espacial é suprassumido, deixando de ser quantitativo (e quebrando com um paradigma da matéria). Isso acontece pela força mecânica de comprimir ar do cilindro com um pistão, que se ajusta e, com o combustível, se imprensa o pistão para dentro, fazendo do ar comprimido uma faísca. Para Hegel, esse processo revela a natureza do ar, a saber, que ele é o universal idêntico consigo consumidor. É precisamente esse experimento empírico que prova a passagem do ar para o fogo porque produz uma inquietação para-si-essente.
Só que na época de Hegel ainda não existia carro. A parte engraçada é que Hegel considerava esse fenômeno uma das "mais belas descobertas" (Enciclopédia §282 Adendo).
Por isso todas as críticas conservadoras e românticas ao capitalismo se tornam pueris.
Como Marx coloca, há um desdobramento necessário nessas categorias historicamente constituídas. Esse progresso ou desdobramento é a revelação de sua verdadeira natureza que torna impossível o reformismo ou a mitigação.
"Os escolásticos sustentavam que à potência infinita do ser corresponde o Ens omnimodo indeterminatum, do qual ela procede: eles entendiam este não como algo que de algum modo já existe, mas antes, como diziam, como aquilo que existe enquanto tal. Esse Ens dos escolásticos era algo inteiramente morto — do qual, por essa mesma razão, só era possível uma progressão nominal, partindo do gênero conceitual supremo, Ens in genere, passando pelo gênero e pela espécie do ser, até o Ente composito, simplici, e daí às classes particulares de essência que seriam ulteriormente determinadas. [...] Mas a potência infinita do ser — ou aquele conteúdo imediato da razão que possui a capacidade infinita de ser (das unendliche Seynkönnen) — não é apenas a possibilidade de existir; ela é também o prius imediato, o conceito imediato do próprio ser"
Schelling - Grounding of Positive p. 133 (State University of New York Press, 2007)
Só acerta esse alemão
Leibniz critica os cartesianos por negligenciarem o papel da percepção (unidade de sensações) e focarem apenas na apercepção e nas percepções que nos apercebemos, ignorando até que as percepções muito pequenas para apercebermos são cruciais para a nossa vida e individuação. Mesmo a percepção comum e a percepção aperceptiva contêm elementos de potencialidade que são irredutíveis que está sendo apercebido, porque a percepção sempre visa mais do que o que está presente (apetição).
Acho que essa linha que David está indo apresenta ótimos casos contra a conversão por milagres no contexto de uma religião exclusivista.
Amigo meu @rian_vlbt mencionou este evento interessante idêntico ao "Milagre de Fátima" mas no contexto budista: "Em 1998 ocorreu na Tailândia um caso budista muito interessante para comparar com Fátima, porque não se tratou apenas de uma visão privada, mas de um **fenômeno...
Parece que a razão não é tão majestosa assim
É difícil classificar Hegel como alguma coisa, porém eu não sou avesso aos nomes comuns contanto que se coloque ressalvas. Idealismo absoluto é um nome interessante para o idealismo de Hegel, porém isso só vale se tivermos a compreensão do absoluto como sujeito e idealismo como termo extrínseco a filosofia de Hegel.
Não podemos pensar que o idealismo absoluto de Hegel está baseado no absoluto ou que para no absoluto porque Hegel dedica partes de sua filosofia a criticar a noção de absoluto, pelo menos como concebida até então. O absoluto é identidade absoluta, todas as suas partes são idênticas a totalidade e, por isso, ele retorna a uma simplicidade consigo. O absoluto é o abismo das coisas finitas ao mesmo tempo que é seu fundamento, ele que dá a subsistência a elas e também é onde elas se resolvem e desaparecem.
O problema fica claro: toda determinação ao absoluto é externa a ele e o finito não ganha sua individualidade própria, eis aí o defeito da filosofia espinosista. É necessário uma reflexão imanente que é própria do sujeito e é necessário colocar o princípio de individualidade que encontramos em Leibniz. Porém, a mônada leibniziana ainda se fecha uma idealidade abstrata, para Hegel é necessário que o absoluto seja sujeito para que coloque nele o elemento da cisão e do achar-se de si nessa cisão.
Por isso que, a grosso modo, quando Marx fala que tudo é aparecimento da ideia absoluta ele está simolisifcando a história para fazer parecer que tudo é só uma aparência com subsistência proveniente do absoluto, um aparecimento da necessidade absoluta. No caso da ideia absoluta, o aparecimento ainda está na unidade com ela mesmo na forma da extrusão porque esse movimento consistiu a autoprodução eterna dela. O sujeito desce até o finito e efetivo e interpenetra ele de tal modo que ele contém em si a infinitude, mesmo que numa abstração.
Reiterando mais uma vez: o ser puro de Hegel não é o ser lógico ou o ser comum.
1) O ser lógico é um conceito, o ser puro de Hegel não é. Ele seria um conceito vazio ou pensar vazio, isto é, nenhum conceito ou pensar. Ele não é de forma alguma uma representação.
2) O ser comum não repugna a adição, o ser puro de Hegel sim.
3) O ser comum suporta uma diferença ou reflexão, o ser puro de Hegel é sempre desigual frente ao outro e não possui diversidade nem dentro e nem fora.
4) O ser puro hegeliano não tem estrutura predicativa, o ser lógico possui.
5) O ser puro hegeliano é imediato, o ser lógico é mediado em relação a abstração.
6) Ser puro não é comum a todas as coisas, na verdade ele nem pode ser. Se tem algo que fica no fundamento de todas as outras determinações é a unidade do ser e do nada, não o mero ser (do contrário não haveria passagem, outro, etc.)
256 anos de Hegel, o homem que lançou a filosofia 2.
"O julgar-se pelo qual a ideia se reparte nas duas aparições (§§ 575-576) as determina como manifestações suas (as da razão que se sabe), e o que se reúne nela é que a natureza da Coisa — o conceito — é o que se move para a frente e se desenvolve; e esse movimento é igualmente a atividade do conhecimento, a ideia eterna essente em si e para si, que eternamente se ativa, engendra, e desfruta, como espírito absoluto." (Enciclopédia §577)
Interessante
It's the countdown now: For Margin Notes vol. 2, @gruidae_james has collected and translated a series of texts by Horkheimer and Adorno related to the former’s unrealised project to write a book on dialectical logic.
A marca da liberdade é o poder de suportar a dor
Para Hegel, o sujeito é a negatividade absoluta enquanto um conservar-se em si mesmo, ou a negação da negação enquanto identidade consigo. A característica da negatividade absoluta é essa cisão: a cisão que retorna para si, mas que permanece uma cisão. Como esse conservar-se na cisão, o sujeito é necessariamente aquele que é capaz de suportar a dor, a dor de separar-se de si mesmo. Por isso, o sujeito é livre e ideal.
É ideal; pois é a infinitude autorrelacionante cuja diversidade encontra-se sob si mesmo.
É livre; pois seu cindir-se de si mesmo é só a expressão de sua negatividade que é o pôr de si mesmo e o movimento de si junto de si. É livre precisamente porque não é dependente do outro.
A dor da cisão é a dor infinita. Ultrapassar esta dor e afirmar a si mesmo é o que constitui a atuosidade do espírito.
Todas as críticas ao capitalismo que vêm da esquizoanálise e da psicanálise se não são falsas, são pelo menos pueris. Quando não se consegue acessar uma teoria do estranhamento/alienação, o que sobra são essas pseudo-críticas.
Uma das piores coisas que foram acontecer com a dialética foi o sequestro que a psicanálise fez (quer dizer, tentou). Psicanálise, assim como os pós-estruturalistas, quer fingir que não é só um pensar formal de baixo clero.