professor, researcher, and writer 🇧🇷

Belo Horizonte, Brasil
Joined February 2018
Dose dupla na sexta-feira, dia 9: começo com uma 'ponencia' no Paraguai 🇵🇾 e termino com um 'conversatorio' no Uruguai 🇺🇾. Todos são muito bem-vindos.
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Honradíssimo com a menção feita pela amiga e grande pensadora da política externa brasileira na atualidade, a embaixadora Irene Vida Gala, em diálogo reproduzido na coluna assinada por Bianca Santana, na Folha de S.Paulo.
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Permitam-me subir no tijolinho e exaltar por um breve instante esta gênia da política chamada Marília Campos. Sinto que o tamanho de seu feito está sendo subdimensionado. A mulher acaba de vencer a disputa ao Senado Federal por Minas Gerais e assegurar, pela primeira vez na história, uma cadeira para a esquerda institucional no estado - num momento bastante conservador da nossa história. Até já tínhamos tido gente como Ronan Tito e Itamar Franco, com algumas posições progressistas, a representar os mineiros na Câmara Alta, mas jamais uma política vinda de um partido da esquerda popular. Acrescento: seu domicílio eleitoral, a cidade de Contagem, onde se elegeu prefeita por 4 vezes, conta com 650 mil habitantes (uns 460 mil eleitores). E ela foi buscar quase 4 milhões de votos no estado, superando a máquina da extrema direita (Carlos Viana, Aro, Superman etc.) e o notório ex-governador Aécio Neves. Isso porque não mencionei ainda que, no pleito municipal de 2024, ela já havia se sagrado como a mulher brasileira a receber mais votos numa eleição (no 1o turno, quando se reelegeu prefeita). Querida Marília, deixo aqui registrada a minha enorme admiração, desejando-lhe um bom trabalho em Brasília. Vamos sentir a sua falta aqui em Contagem; sorte do Brasil, que ganha uma congressista extraordinária.
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Pensava nisso alguns dias atrás. O movimento iniciado por Jean-Marie Le Pen, nos anos 1970, que pode desaguar na eleição futura da filha, Marine, como presidente da República Francesa, era associado - não faz tanto tempo assim - à chamada "franja de lunáticos". Virou mainstream.
Lembro bem da eleição na França em 2002. Foi a primeira vez que a extrema-direita chegou no 2° turno. Houve uma grande coalizão republicana e Le Pen foi derrotado. Hoje, nem na França essa aliança é possível. No Brasil, nem se fala. As grandes democracias normalizaram o fascismo.
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[Longo suspiro]
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Este gráfico de @denissoncsol permite ver com clareza o movimento que vem sendo narrado pelos comentaristas políticos: nanicos minguando em relação às estimativas das pesquisas, enquanto votos se deslocam (numa proporção comparável ao somatório das perdas dos nanicos) rumo a FB.
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Argumento ousado. Seja como for, ilustra o problema epistemológico para o qual se tem chamado a atenção: pesquisa de véspera vem perdendo serventia como ferramenta prognóstica. Tudo se tornou extremamente dinâmico. Variância é tanta que, no cesto dos pesquiseiros de véspera (3/10), havia quem desse L subindo (PoderData, Futura), FB subindo (Quaest, Datafolha) e até a estabilidade da corrida (Atlas). Ninguém conseguiu antecipar com extrema precisão onde a roleta iria parar. Minha hipótese: os "data points" erráticos refletem um movimento social mais profundo, muito difícil de captar para a ciência positivista dos surveys eleitorais. Cada vez mais, teremos de tomar resultados de pesquisas com uma pitada de sal. Importante, de igual maneira, é segregar o dado da pesquisa da interpretação imposta por seu financiador.
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Minas Gerais, o estado que encapsula as contradições do Brasil dentro do seu território.
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Busy days. A short interview today with China’s CGTN on the Brazilian presidential election. I wish I could have offered a more optimistic outlook for the future.
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Leiam.
Onde Lula perdeu votos entre o 1º turno de 2022 e o de 2026, e em que tipo de município? Cruzei o resultado das 5.570 cidades com dados do Censo 2022 e do PIB municipal. Dados do TSE ainda preliminares (05/10). Os principais achados, em 7 tweets.
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E, se me permitir, vou sussurrar mais uma coisinha: se não fosse Lula quem ele é, este atual governo dificilmente duraria 4 anos. Sempre convém lembrar que, com uma semana no cargo, o PR sofreu tentativa de golpe de Estado.
Replying to @dbelemlopes
A verdade é que o Lula foi um azarão em 2022, né? Ganhou uma eleição dentro de uma cenário imerso ainda numa onda de direita. A pandemia tirou a reeleição de Trump em 2020 e de Bolsonaro em 2022. Foram dois fenômenos atípicos, temporários e de mesma natureza.
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Sei que hoje é dia oficial do "a esquerda precisa aprender que", mas me permitam uma ponderação: a maré da extrema direita vem subindo desde 2013-14. Nunca chegou a refluir. Vide o Congresso Nacional. Olhe para o mundo ao redor. Lula venceu em 2022 *apesar* dessas circunstâncias.
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Com a avalanche de votos na extrema direita em parlamentos e governadorias estaduais, atribuir relação de causalidade ao não comparecimento de Lula a um debate de tv, ou à consequente ação de TSE/STF, segue sendo apenas uma narrativa conveniente. Só encobre as forças em operação.
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O tamanho do enrosco. Onde se lê centro, leia-se...
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Rússia escala ataques com drone à Ucrânia neste ano, reporta o Financial Times.
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Alguns colegas da antropologia, da comunicação social e da psicologia política já vêm chamando a atenção para algo que os números têm dificuldade de captar: mudou a natureza do processo. Efemeridade é a nova tônica. Vide os atuais governos da extrema direita na América Latina.
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Hoje é dia de repetir para si mesmo o famoso dístico do cientista político polonês Adam Przeworski: "Amas a incerteza e serás um democrata." Uma boa semana a todos.
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É isto, minhas amigas e meus amigos. Amanhã vai ser outro dia. Obrigado pela companhia. Foi um prazer compartilhar a trincheira neste 1o turno. Seguimos. Um abraço e boa noite.
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