A concentração de recursos e decisões em Brasília alimenta uma insatisfação previsível: a de regiões que sentem contribuir muito para o país, mas ter pouca influência sobre os rumos da nação e o destino do que produzem. E isso não é privilégio do Brasil.
Em 1991, a Eslovênia conseguiu se separar da Iugoslávia, sob argumento semelhante. Na época, o hoje país era a região mais rica da federação. Embora concentrasse apenas 8% da população, respondia por 16% da produção econômica e 30% das exportações. Seu PIB per capita era quase o dobro da média nacional.
Além das diferenças econômicas, havia particularidades culturais e históricas. Os eslovenos falavam um idioma próprio, tinham forte influência da Europa Central e questionavam um sistema que transferia recursos das regiões mais produtivas para as menos desenvolvidas, sem que tivessem a influência desejada sobre essas decisões.
A Constituição iugoslava de 1974 reconhecia o princípio da autodeterminação, mas não estabelecia um procedimento claro para a secessão. Em 1988, a prisão e o julgamento militar de quatro pessoas, incluindo um jornalista, provocaram manifestações populares e fortaleceram os movimentos em defesa das liberdades civis e da autonomia eslovena.
Em 1990, uma coalizão favorável à soberania venceu as primeiras eleições multipartidárias. A Eslovênia avançou com mudanças legais próprias e realizou um plebiscito, no qual aproximadamente 95% dos votantes escolheram a independência.
Em junho de 1991, a Eslovênia declarou sua independência, provocando uma reação militar do governo iugoslavo e dando início à Guerra dos Dez Dias. O conflito foi encerrado após negociações mediadas pela Comunidade Europeia, que resultaram em um acordo pelo qual os eslovenos aceitaram suspender temporariamente a implementação da independência.
Os indicadores mostram que hoje a Eslovênia está melhor que antes. Em 2025, o PIB per capita alcançou aproximadamente US$ 37,4 mil, o desemprego ficou em 3,2% e a expectativa de vida superou os 82 anos. O país também integra a União Europeia desde 2004 e utiliza o euro desde 2007.
A Eslovênia já era a região mais desenvolvida da Iugoslávia, mas ampliou sua renda, melhorou seus indicadores sociais e consolidou uma economia de alta renda após a independência.
No Brasil, a Constituição não deixa margem para a secessão, mas isso não deveria encerrar o debate. Pelo contrário: há boas razões para discutir um federalismo menos centralizador, no qual os estados tenham maior autonomia para definir suas prioridades e responder às demandas de suas populações. Afinal, um país não precisa se dividir para reconhecer suas diferenças.
A força das instituições democráticas depende do respeito às normas, da igualdade perante a lei e da coerência em sua aplicação. Mas o que acontece quando interpretações individuais e interesses políticos se sobrepõem às regras que deveriam orientar o funcionamento dos Poderes? Em artigo publicado em nosso espaço na Exame, Joao Antonio Wiegerinck, advogado, professor e mestre em Direito Constitucional, apresenta uma análise crítica sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, questionando a flexibilização de princípios constitucionais e regimentais em função de conveniências políticas. Leia a análise completa: exame.com/colunistas/institu…
Nesta semana, o Brasil descobriu que terá o maior imposto sobre consumo do mundo! Mas e hoje, quanto é? Difícil saber exatamente... Neste primeiro vídeo de nossa webserie "Economia do Dia a Dia: Entendendo para Transformar", Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, fala sobre os impostos que ficam camuflados nos preços dos produtos, de forma que ninguém sabe exatamente quanto paga pro governo no seu dia a dia. Confira: youtu.be/6Q526M2X8w8
Ampliar o acesso à educação é uma conquista importante, mas garantir que os estudantes realmente aprendam continua sendo um sonho distante no Brasil. Os baixos resultados em matemática, leitura e ciências revelam a necessidade de ir além do volume de investimentos e repensar a qualidade do ensino, a gestão dos recursos e a responsabilidade pelos resultados. Em artigo publicado em nosso espaço na Exame, Juliana Antonelli, diretora do Instituto Atlantos, analisa os entraves estruturais da educação brasileira e defende um modelo que combine autonomia escolar, transparência, avaliação de desempenho e igualdade de oportunidades. Leia a análise completa: exame.com/colunistas/institu…
Toda vez que o governo precisa de mais dinheiro, a sociedade paga a conta. A proposta de ampliar a tributação sobre investimentos é mais um exemplo de uma estratégia recorrente no Brasil: buscar o equilíbrio das contas públicas pelo aumento da arrecadação, em vez de enfrentar o crescimento das despesas.
É preciso lembrar que o dinheiro não nasce no governo. Antes de virar arrecadação, ele estava nas mãos de pessoas e empresas, que poderiam utilizá-lo para consumir, poupar, investir, empreender ou gerar empregos. Cada real adicional recolhido pelo Estado é um real que deixa de estar disponível para essas decisões.
Agora, a discussão envolve investimentos como LCI, LCA, CRI e CRA, cujos rendimentos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. Mas isenção de IR não significa ausência de tributação. As atividades econômicas financiadas por esses instrumentos já estão sujeitas a diversos impostos, inclusive indiretos. Ampliar a tributação dos rendimentos significa acrescentar mais uma camada de cobrança sobre recursos que circulam na economia.
Quando uma família gasta mais do que ganha, precisa rever suas despesas. Por que essa mesma responsabilidade não deveria valer para o governo? Aumentar impostos pode proporcionar alívio fiscal no curto prazo, mas não resolve os problemas estruturais que fazem as despesas públicas crescerem continuamente.
Não importa se o novo imposto recairá sobre investidores, consumidores ou empresas. É quanto dinheiro a sociedade precisa entregar ao Estado e que resultados recebe em troca.
Antes de exigir mais recursos dos brasileiros, o governo precisa demonstrar que é capaz de gastar melhor aqueles que já arrecada. Afinal, o ajuste das contas públicas não deveria ser sempre uma responsabilidade do contribuinte
A necessidade de reforma do Judiciário brasileiro é uma necessidade urgente. E não estamos falando apenas dos tribunais superiores. Mas reformar do jeito certo exige mais do que boas propostas: é fundamental compreender os problemas, identificar suas causas e estabelecer indicadores capazes de avaliar resultados concretos. Em artigo publicado em nosso espaço na Exame, Luciano Benetti Timm, Marcelo Justus e Paulo Lucon destacam a importância de uma reforma orientada por evidências, transparência e métricas de governança. Os autores apresentam o Índice Amplo de Governança da Justiça (iGov-Jus) como instrumento para identificar fragilidades, acompanhar o desempenho institucional e contribuir para decisões mais eficientes. Afinal, mudanças estruturais só podem ser efetivamente avaliadas quando seus impactos são mensurados. Acesse a íntegra: exame.com/colunistas/institu…
O que esperar do governo Lula 4? Veja um trechinho da opinião de @RicardoGomesPOA , CEO do Instituto Millenium. Concorda com ele?
Manhã de pânico no mercado financeiro. O Brasil começou a semana enfrentando uma das maiores turbulências financeiras dos últimos anos. Após o resultado das eleições, o dólar chegou a R$ 5,60, com alta superior a 12%, enquanto o Ibovespa despencou mais de 10% logo na abertura do pregão, obrigando a Bolsa a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020, durante a pandemia. O mecanismo de emergência suspendeu as negociações por 30 minutos para tentar conter a instabilidade. Mesmo após a retomada, o índice chegou a registrar perdas superiores a 17%.
A reação foi tão intensa que o Tesouro Nacional achou melhor intervir no mercado, realizando um leilão extraordinário de recompra de aproximadamente R$ 7,1 bilhões em títulos públicos prefixados. A medida buscou aliviar a pressão de venda desses papéis e conter a disparada das taxas de juros exigidas pelos investidores. O governo também cancelou leilões de títulos públicos previstos para esta semana. São medidas excepcionais, adotadas em um cenário de forte desconfiança e instabilidade financeira.
Mas por que o mercado reagiu dessa forma? A continuidade do governo, após uma eleição conturbada, reacendeu preocupações não apenas econômicas, mas institucionais. Diante da percepção de grande risco, investidores tiram suas aplicações do Brasil, pressionando o câmbio, os juros e os preços das ações brasileiras.
E quem pensa que isso é um problema restrito ao mercado financeiro precisa entender como essa turbulência chega ao próprio bolso.
Afinal, você pode até não comprar dólares, mas consome produtos cujos preços dependem diretamente da moeda americana. Combustíveis, fertilizantes, medicamentos, máquinas e componentes industriais ficam mais caros com a desvalorização do real. Esses custos se espalham pela economia, pressionam a inflação e reduzem o poder de compra das famílias.
Ao mesmo tempo, a queda da Bolsa representa uma perda expressiva de valor de mercado das empresas brasileiras, enquanto a provável disparada dos juros encarece o crédito, desestimula investimentos e dificulta a geração de empregos. O resultado pode ser sentido no financiamento da casa, nas compras parceladas, no custo de funcionamento das empresas e, consequentemente, nos preços pagos pelos consumidores.
É verdade que alguns setores exportadores e investidores posicionados em dólar podem se beneficiar desse cenário. Mas, para a maior parte da população, uma moeda desvalorizada, juros elevados e menor confiança na economia representam riscos concretos à renda, ao consumo e ao crescimento.
A Bolsa pode interromper suas negociações por 30 minutos. Os efeitos de uma crise de confiança, porém, podem durar muito mais.
Após três mandatos no governo, Lula terá mais uma oportunidade para apresentar soluções concretas para problemas que continuam sem resposta. O país enfrenta desafios que não serão superados apenas com novos anúncios, promessas ou ampliação de gastos públicos.
O primeiro é conter a dívida pública. Em agosto de 2026, a dívida bruta alcançou 82,9% do PIB, mesmo após sucessivos recordes de arrecadação. A expansão das despesas e o peso dos juros continuam pressionando as contas públicas. O governo precisará demonstrar disposição para controlar gastos, rever prioridades e abandonar a lógica de buscar o equilíbrio fiscal principalmente por meio de novos impostos.
O segundo é enfrentar as facções criminosas. O avanço do crime organizado sobre territórios, presídios e atividades econômicas exige uma resposta que vá além de operações pontuais. Integrar as forças policiais, combater o financiamento das organizações criminosas e impedir que lideranças continuem comandando crimes de dentro das prisões são medidas fundamentais para recuperar a segurança da população.
O terceiro é reduzir o endividamento das famílias. Em setembro, 81,7% das famílias brasileiras estavam endividadas. Programas de renegociação podem oferecer alívio temporário, mas não resolvem as causas do problema. É preciso criar condições para que os brasileiros consigam pagar suas contas, poupar e construir patrimônio, com estabilidade econômica, maior concorrência bancária, crédito mais barato e incentivos à adimplência.
O quarto é pacificar e moralizar as instituições. A judicialização da política e as controvérsias envolvendo decisões do STF aprofundaram tensões institucionais. Recuperar a confiança da sociedade exige mais do que discursos em defesa da democracia. É necessário fortalecer a transparência, a responsabilização e o respeito aos limites constitucionais de todos os Poderes, inclusive do Judiciário.
O quinto é fazer o Brasil voltar a crescer de forma sustentável. A expansão de gastos, subsídios e benefícios não substitui reformas capazes de elevar a produtividade. O excesso de burocracia, a insegurança jurídica e os obstáculos à atividade empresarial continuam limitando investimentos e oportunidades. O país precisa de um ambiente favorável ao empreendedorismo, à competitividade e à geração de riqueza, sem depender continuamente de estímulos estatais.
Depois de mais quatro anos à frente do Executivo, já não basta apontar os problemas ou anunciar novas soluções. O próximo mandato precisará ser marcado por resultados concretos, responsabilidade na gestão dos recursos públicos e avanços que sejam percebidos pela população.
Mais quatro anos. As soluções precisam aparecer. Na sua opinião, qual deveria ser a primeira prioridade do governo?
O Brasil já esteve no topo do ranking dos países que mais crescem no mundo. No entanto, a cada nova edição, nossa posição só vem caindo. Veja um trecho da palestra do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o Acton Experience Brasil, ocorrido em agosto, em Belo Horizonte.
Vivemos em uma sociedade que normalizou roubo de celular, e ainda acha bom quando o bandido não faz mais nada com a vítima. Neste trecho do Millenium Talks, Roberto Motta racionaliza esta mentalidade e mostra como o Brasil falhou na segurança pública. Assista a íntegra: youtu.be/ItZHA6Rn088?si=w4vu…
A Argentina enfrenta dificuldades econômicas, mas qualquer análise sobre o governo de Javier Milei precisa considerar o tamanho da crise que ele herdou e os resultados das mudanças implementadas desde então.
A inflação, que estava em 160,9% nos 12 meses encerrados em novembro de 2023, caiu para 33,4% em setembro de 2026. Os preços continuam subindo, mas em ritmo muito inferior. Para uma população que conviveu durante anos com a perda acelerada do poder de compra, essa diferença importa.
Nas contas públicas, a mudança também foi significativa. Depois de mais de uma década sem superávit financeiro anual, o setor público nacional voltou a fechar no azul em 2024 e repetiu o resultado em 2025, mesmo após o pagamento dos juros da dívida.
E a atividade econômica? Após a recessão de 2024, o PIB argentino cresceu 4,4% em 2025, acompanhado por uma expansão de 7,9% no consumo das famílias e de 16,4% nos investimentos.
Outro tema que costuma gerar comparações distorcidas é a pobreza. Argentina e Brasil utilizam critérios nacionais diferentes, o que exige cuidado ao confrontar os indicadores. Pelos critérios argentinos, a pobreza atingia 41,7% da população no segundo semestre de 2023. No primeiro semestre de 2026, estava em 32,3%.
As reformas também alcançaram o comércio exterior e a estrutura do Estado. A redução de tarifas de importação ampliou a concorrência, criando desafios para empresas nacionais, mas também oportunidades de preços menores e maior variedade para os consumidores.
Paralelamente, o governo eliminou mais de 74 mil postos de trabalho no setor público nacional, buscando reduzir gastos e tornar a administração mais eficiente. A medida libera recursos antes destinados à manutenção de estruturas desnecessárias, permitindo investimentos em serviços essenciais ou a redução de impostos. Além disso, uma máquina estatal mais enxuta diminui o peso sobre os contribuintes e favorece uma gestão mais responsável do dinheiro público.
Os resultados mostram que o ajuste econômico argentino vai além do corte de despesas. A desaceleração da inflação, a recuperação do crescimento e a melhora das contas públicas demonstram que é possível enfrentar desequilíbrios históricos sem recorrer continuamente a mais impostos, endividamento e expansão do Estado.
A proposta de reduzir a jornada de trabalho sem diminuir os salários, aprovada de forma eleitoreira, traz de volta uma discussão que vai além dos benefícios para os trabalhadores e envolve mudanças na produtividade, nos custos das empresas e na geração de empregos no Brasil.
Apesar do apoio popular ao fim da escala 6x1, a medida exige uma avaliação cuidadosa de seus efeitos econômicos. Em artigo publicado em nosso espaço na Exame, Wesley Reis examina o ambiente político em torno da PEC e chama a atenção para a necessidade de aprofundar a análise de suas consequências. Entre os riscos apontados estão a elevação de preços, o avanço da automação, o crescimento da informalidade e a retração das contratações, com impactos potencialmente maiores sobre as pequenas empresas.
A discussão merece considerar tanto os ganhos esperados para os trabalhadores quanto as dificuldades de adaptação dos diferentes setores da economia, especialmente porque os efeitos de longo prazo podem não ser percebidos de imediato. Leia o artigo completo: exame.com/colunistas/institu…
Ter boas ideias e lideranças qualificadas é suficiente para conquistar espaço na política? Os resultados eleitorais mostram que transformar propostas em apoio popular exige mais do que conhecimento técnico: é preciso comunicação eficaz, organização e capacidade de construir alianças. Em artigo publicado em nosso espaço na Exame, Gabriel Costa analisa os desafios do liberalismo brasileiro e argumenta que a principal fragilidade do movimento não está em suas ideias, mas no método utilizado para apresentá-las e transformá-las em resultados eleitorais. A reflexão destaca a importância de conectar princípios à realidade das pessoas, traduzir propostas complexas em mensagens acessíveis e compreender a dinâmica da disputa política. Afinal, como transformar conhecimento e liderança em influência efetiva? Acesse a íntegra: exame.com/colunistas/institu…
Depois de 19 anos na condição de credor internacional, o Brasil voltou a dever mais ao exterior do que possui em reservas e créditos considerados nesse cálculo. Segundo dados do Banco Central divulgados pelo Estadão, a dívida externa chegou a US$ 407,1 bilhões, o maior valor em 40 anos de registros, enquanto os ativos utilizados nessa comparação somaram US$ 402 bilhões. Desde o início do atual governo, a dívida externa cresceu 27,4%, contra uma expansão de 15,8% das reservas. O resultado é uma dívida externa líquida de US$ 5,1 bilhões e o fim de uma posição favorável que o país mantinha desde 2007.
Reservas elevadas funcionam como uma proteção diante de crises internacionais, oscilações cambiais e fugas de capital. A redução dessa margem de segurança, somada aos desequilíbrios fiscais e à necessidade crescente de financiamento, reforça a importância de políticas econômicas responsáveis. Afinal, a capacidade de um país enfrentar crises depende também da solidez das contas que constrói nos períodos de normalidade.
A segurança pública é, provavelmente, o maior desafio do Brasil, e a inteligência artificial pode ser uma aliada estratégica no combate à criminalidade. Em um cenário de restrições fiscais e crescente demanda por resultados, o uso de tecnologias inteligentes surge como alternativa para prevenir crimes, acelerar investigações e ampliar a eficiência das forças policiais.
Em artigo publicado em nosso espaço na Exame, Pâmela Borges e @RicardoGomesPOA analisam como a aplicação de IA na segurança pública já apresenta resultados promissores em municípios brasileiros, destacando o potencial da inovação para otimizar recursos e fortalecer a atuação do Estado, sem abrir mão da proteção de dados e da supervisão humana. Leia o conteúdo completo na Exame: exame.com/colunistas/institu…
Os números do Banco Central mostram que o país chega à reta final das eleições com uma situação fiscal bem mais delicada do que há quatro anos. E é justamente nesse cenário que novas promessas de benefícios, subsídios e ampliação de programas públicos precisam ser examinadas com atenção.
Medidas que parecem vantajosas no curto prazo podem criar despesas permanentes, elevar o endividamento e comprometer recursos futuros. Quanto maior a fragilidade das contas públicas, menor a margem para assumir novos compromissos sem aumentar impostos, cortar gastos em outras áreas ou recorrer a mais endividamento.
Em período eleitoral, é natural que propostas capazes de produzir benefícios imediatos ganhem destaque. Mas o compromisso com a responsabilidade fiscal não deveria depender do calendário das urnas. Antes de celebrar qualquer nova despesa, o eleitor merece saber quanto ela custará, de onde virão os recursos e quais serão suas consequências para a economia. Afinal, a conta das promessas de hoje continuará existindo muito depois das eleições.
As urnas revelam mais do que resultados eleitorais: expressam demandas, expectativas e prioridades de uma sociedade que deseja ser ouvida. Interpretar essa mensagem exige disposição para abandonar certezas, reconhecer diferentes perspectivas e compreender os desafios enfrentados pela população. Em artigo publicado em nosso espaço na Exame, André Naves reflete sobre a importância da escuta e da humildade na construção de uma sociedade mais livre, justa e inclusiva, destacando questões como liberdade econômica, segurança, respeito aos valores individuais e eficiência dos serviços públicos. Acesse o conteúdo completo: exame.com/colunistas/institu…
Salários mais altos, jornadas reduzidas e melhores condições de vida são aspirações legítimas, mas como sustentá-las em uma economia que avança tão pouco em produtividade? Nas últimas três décadas, o Brasil ampliou investimentos e força de trabalho sem alcançar ganhos proporcionais de eficiência, comprometendo seu potencial de crescimento e ampliando os desafios fiscais. Em artigo publicado na Exame, Matheus Gonzalez, associado do IEE - Instituto de Estudos Empresariais, analisa os impactos desse descompasso sobre salários, gastos públicos e o fim da escala 6x1. O autor também destaca a importância de reformas estruturais, investimentos em infraestrutura e maior eficiência econômica para viabilizar o desenvolvimento sustentável. Em um cenário de debates sobre o futuro do país, antes de discutir como distribuir mais riqueza, precisamos compreender como ampliar nossa capacidade de produzi-la. Leia a análise completa na Exame: exame.com/colunistas/institu…
Com que idade o adolescente tem plena consciência dos seus atos? A maioridade penal varia ao redor do mundo, mas entre os 10 países que mais deram certo na segurança, nenhum adota inimputabilidade até os 18 anos. Isso não quer dizer que esses países coloquem adolescentes nos mesmos presídios que os adultos, mas ao contrário do Brasil, eles podem ser transferidos para o sistema penitenciário comum ao completarem 18 anos, além de ficarem com o registro em suas fichas criminais.
Outra diferença é o tempo máximo de "internação". No Brasil, o máximo absoluto é de 3 anos, com liberação compulsória aos 21 anos. Já nestes outros países, o tempo pode ser bem mais longo, sendo prevista, inclusive, prisão perpétua em Singapura e na Irlanda.
Em um caso concreto, em 2018, na Irlanda, Ana Kriégel, de 14 anos, foi atraída por um adolescente de 13 anos até uma casa abandonada, onde foi brutalmente assassinada por ele e outro garoto da mesma idade. O crime teve circunstâncias especialmente graves: houve premeditação, a vítima foi enganada e levada a um local isolado, sofreu agressões violentas na cabeça e no pescoço e também foi vítima de violência sexual. Segundo o juiz, os autores compreendiam a natureza e as consequências de seus atos, apesar da pouca idade. Em 2019, um deles foi condenado à prisão perpétua e o outro a 15 anos de detenção.
















