Bem, fiz uma análise minuciosa da história de Rashta e Navier a partir do que me contaram sobre o manhwa. Mas o drama pode muito bem optar pelo caminho mais fácil e cair naquela velha fórmula da protagonista virtuosa contra a antagonista invejosa e ardilosa. Sinceramente, espero que não reduzam a Rashta a uma simples rival da Navier e que mantenham as contradições que tornam a personagem tão interessante. Se no fim eu quebrar a cara, faço um post só pra vocês me xingarem. KKKKKKK
Sejamos sinceros, o plot inicial da antagonista de The Remarried Empress é muito bobinho. Até agora, tudo o que ela fez foi se fazer de sonsa e manipular homens. Ela nem chegou a ser amante, já que o império em que vive aceita o concubinato socialmente. Por isso, a protagonista não foi exatamente traída, e sim vítima de um sistema patriarcal que permite aos homens ter várias parceiras. Quando a Rashta cometer um atentado ou começar a arquitetar planos maquiavélicos contra a protagonista, aí sim podemos conversar sobre a vilania dela. Até lá, as "terríveis maldades" não passam intrigas palacianas e manipulações baratas que nem sequer chegam a afetar a Navier. Quem causa todo o mal-estar no início da história é o próprio imperador.
Não contei, mas comecei Sunshine Through the Rain ontem e já me apaixonei! Finalmente temos um cdrama com a combinação perfeita de uma romance clichê de academic rivals-to-lovers entre uma protagonista tomboy durona e um nerd orgulhoso, tudo isso com aquele toque especial que só os dramas chineses sabem dar.
Se eu tivesse escrito The Remarried Empress, começaria a história exatamente como a autora fez, mas daria outro rumo às trajetórias de Rashta e Navier. Em vez de construir uma como mocinha e a outra como vilã, exploraria como duas mulheres de origens e posições sociais tão diferentes podem ser vítimas de um mesmo sistema de poder, ainda que de maneiras completamente distintas. Rashta foi explorada pela escravidão e, mesmo depois de conquistar uma suposta liberdade, continuou submetida aos interesses de homens que detêm o poder sobre seu destino. Navier, por sua vez, apesar de todos os privilégios de sua posição, também tem sua autonomia condicionada por um sistema patriarcal que determina seu valor a partir de sua função como esposa e imperatriz. Isso não significa equiparar suas experiências ou ignorar as diferenças de classe entre elas, mas reconhecer que nenhuma das duas está verdadeiramente livre das estruturas que governam suas vidas. Elas não precisariam sequer se tornar amigas ou desenvolver uma relação de sororidade. Bastaria que, em algum momento, fossem capazes de reconhecer que, embora ocupem lugares opostos na hierarquia social, ambas estão submetidas a um sistema que transforma suas vidas em instrumentos dos interesses masculinos. O imperador poderia continuar sendo o centro do conflito, mas a narrativa deixaria de tratar a disputa entre duas mulheres como uma simples rivalidade amorosa e passaria a questionar as estruturas de poder que tornam essa rivalidade possível. Acredito que isso renderia uma história muito mais interessante sobre poder, autonomia e empoderamento feminino, sem necessariamente abrir mão do romance ou dos conflitos políticos. Sinto que a autora desperdiçou a oportunidade de construir uma obra grandiosa a partir de uma premissa que já reunia todos os elementos necessários. E o mais curioso é que não seria preciso transformar a história em um tratado sociológico nem investir em uma complexidade narrativa extraordinária. Bastaria ter disposição para reconhecer as contradições do próprio universo que criou, em vez de reproduzi-las sem questionamento.
Enquanto muita gente odeia a antagonista de The Remarried Empress, eu tenho uma visão bem diferente da personagem. Rashta é uma figura trágica e, em muitos aspectos, patética, mas não simplesmente porque deseja ocupar o posto de imperatriz. Ela passou a vida inteira submetida à escravidão e, quando finalmente conseguiu conquistar uma suposta liberdade, acabou presa a outras formas de dominação, tornando-se refém da manipulação de um homem e de uma estrutura social que nunca deixou de enxergá-la como alguém inferior. O mais interessante é que nem mesmo a protagonista está completamente isenta dessa lógica. Embora seja vítima das circunstâncias em diversos momentos, Navier também reproduz e legitima uma sociedade profundamente hierarquizada, na qual a posição social determina o valor e o lugar de cada indivíduo. Ela questiona as atitudes de Rashta, mas raramente questiona o sistema que tornou possível a existência daquela realidade. Acredito que, se não estivesse tão comprometido com uma narrativa de apelo popular, o manhwa poderia explorar questões muito mais profundas sobre desigualdade, mobilidade social, privilégios e as contradições de uma sociedade de classes. Rashta não precisa ser inocente para que sua trajetória mereça uma análise crítica, assim como Navier não precisa ser uma vilã para que suas contradições sejam reconhecidas. É possível se divertir com a narrativa, torcer pelos personagens e, ao mesmo tempo, perceber que a história é muito mais interessante quando deixamos de procurar culpados absolutos. Afinal, naquele universo, ninguém está realmente livre das contradições do sistema que sustenta seus privilégios.
Diante da discussão sobre pais que esperam que a escola e os professores também assumam responsabilidades que deveriam ser compartilhadas com a família, tenho ainda mais convicção de que a educação sexual precisa ser obrigatória nas redes de ensino, incluindo o planejamento familiar como parte do conteúdo programático. Precisamos ensinar desde cedo que sexualidade envolve responsabilidade, prevenção e consequências, e que ter filhos é uma decisão que exige muito mais do que vontade. Exige planejamento, disponibilidade emocional, condições materiais e, principalmente, consciência de que uma criança depende dos adultos responsáveis por ela. Se você acredita que criar um filho é simplesmente colocá-lo no mundo e depois transferir para a escola, os professores e outras pessoas a responsabilidade pela sua criação, talvez precise repensar a decisão de ter filhos. "Ah, mas eu preciso trabalhar." E é justamente por isso que o planejamento familiar é tão importante! Ter filhos não é uma obrigação, muito menos uma decisão que deve ser tomada sem considerar as responsabilidades que vêm junto. Pensem no futuro, conversem sobre contracepção, usem camisinha e métodos contraceptivos. Porque, pasmem, crianças não são bonecas que você pode deixar aos cuidados de outras pessoas quando a rotina aperta, e profissionais da educação não são pais em tempo integral dos filhos alheios. A escola tem um papel fundamental na formação de uma criança, mas não pode ser responsabilizada por substituir uma família que não quer assumir o próprio papel.
Campus Drivers (2026)
Começa muito bem, com boa química entre os protagonistas, ritmo envolvente e secundários interessantes, mas logo desperdiça seu potencial ao transformar o passado trágico da família do protagonista no centro absoluto da narrativa.
★: 6/10
Parei para refletir sobre muita coisa que vocês disseram nesse post, mas ainda não acho que tantas das características apontadas como mudanças nos kdramas tenham, necessariamente, sofrido influência das produções americanas. Acredito que precisamos olhar também para as transformações no comportamento do público e na própria forma de consumir entretenimento. Questões como ritmo, redução do número de episódios, roteiros mais fragmentados, inserção de cenas de sexo e até a maneira de desenvolver os relacionamentos parecem estar muito mais relacionadas a uma mudança nos hábitos de consumo audiovisual. Hoje, vivemos uma rotina cada vez mais pautada pelas telas, pelas redes sociais e pelos vídeos curtos, que estimulam um consumo rápido, fragmentado e constantemente atravessado por estímulos. Isso não significa que o público tenha perdido a capacidade de apreciar histórias mais longas ou complexas, mas que a indústria precisa disputar sua atenção em um cenário muito diferente daquele de alguns anos atrás. Além disso, as próprias plataformas de streaming, suas estratégias de distribuição e a busca por alcance internacional também interferem nas escolhas criativas. Acredito que a influência americana possa existir em alguns aspectos, mas atribuir a ela tantas mudanças acaba deixando de lado fatores importantes. A indústria sul-coreana também está respondendo às transformações do seu próprio mercado, às novas expectativas do público e à maneira como o entretenimento passou a ser consumido. No fim, não mudou apenas a forma de produzir kdramas, mudou todo o ecossistema em que essas histórias são criadas, distribuídas e assistidas.
Eu acho engraçado quando a gente reclama da americanização dos Kdramas, mas confesso que ainda tenho dificuldade para identificar exatamente essas mudanças. Eu mesma só costumo perceber quando começam a caprichar nas cenas de beijo e sexo (🫢). Mas, cá pra mim, acho que o maior problema tem sido a escrita e os roteiros, que andam bem fraquinhos, principalmente nas romcoms. Alguém me explica quais são, afinal, os elementos de americanização que tanto comentam?
Não consigo mais comprar plot de homem mulherengo com passado traumático. Dá pra fazer história de cafajeste sem apelar pra sentimentalismo barato e fica até mais interessante. Um homem com os quatro pneus arriados pela mocinha é muito mais romântico do que ela ser a cura da ferida interior de um galinha. KKKKKKKK
Ontem assisti a dois episódios dessa nova série do Prime, Campus Drivers, e achei o começo bem maduro para uma produção juvenil. Só que não gostei da protagonista. Pela primeira vez, estou torcendo para que o protagonista mulherengo mande a mocinha ir catar coquinho. Ela vai morar de favor na casa dele, acha que é dona do lugar e quer regrar até as fodas do cara que diz odiar, porque só tem olhos para o traíra do ex. Além de corna mansa, é invasiva e não tem o menor tato ou respeito pela dor do protagonista. Fica perguntando sobre o passado familiar dele sem a menor sensibilidade e, agora, resolveu bancar a investigadora: quer porque quer entrar no quarto vazio da casa dele, mesmo depois de ele ter deixado bem claro que não é para entrar. Tudo isso porque desconfia justamente do cara que fez o favor de acolhê-la depois que o marmanjo do namorado a expulsou de casa. Aliás, essa série é de romance ou mistério? Porque os protagonistas estão exalando uma química absurda desde o primeiro episódio e, até agora, não deram sequer um beijinho. Só ficam fazendo mistério em torno desse tal quarto do irmão do protagonista. Se toda essa história sobre o passado for um grande meh, vou ficar muito P da vida. É isso. A série tem potencial, mas, sinceramente, espero que não resolvam focar apenas nesse plot de mistério, porque já está começando a ser um porre.









