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Matar e não sentir remorso
Aplicar força brutalmente
Tirar o que é seu
Deixar seu corpo um cadáver
Apenas tirar tudo
Observar as cortinas caírem
No nada interior
Fazer o salto sem asas
é muito tentador recolher tudo que ofereço ao mundo pra me poupar de certas feridas, e preservar só pra mim o que antes era oferecido sem cálculo algum. mesmo assim, não sei se existe alguma vitória em aprender a me defender de tudo aquilo que me faz ser quem eu sou.
acho que não fui feita para a convivência humana e que a minha presença entre as pessoas é resultado de algum erro de classificação ocorrido durante a criação do mundo. provavelmente me colocaram na categoria dos mamíferos por causa da temperatura corporal
acho muito engraçado quem não gosta de halloween por ser coisa “maligna”, mas no carnaval tá rebolando praticamente seminu na rua como se tivesse sido exorcizado ao contrário
há coisas que perdem algo quando tentamos explicá-las demais. talvez uma das formas mais sinceras de admiração seja reconhecer que não somos capazes de abarcar tudo aquilo que nos comove.
abrir espaço para o assombro, a contemplação desinteressada e a experiência de estar diante de alguma coisa sem precisar transformá-la em uma extensão de nós mesmos, reconhecer que nossa existência não é a medida de todas as coisas.
Existe uma ambiguidade irreconciliável em amar ser mulher. Às vezes, meu próprio corpo parece me encurralar no mundo, ainda assim, não há lugar em que eu deseje existir mais do que neste. Há uma certa pureza na maneira como conduzo minha vida, na funcionalidade singular do meu corpo, nas oscilações silenciosas que alteram a cor de tudo o que sinto e tudo o que penso… Tudo me atravessa, um deleite em cada pequeno gesto. Eu sinto muito, e o desejo de sentir ainda mais é o que me move.
homem de ambições intelectuais descobre que ele não é um gênio incompreendido, mas sim um sujeito mediano que desenvolveu vocabulário suficiente para tornar a própria mediocridade menos evidente
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plinio perez é a prova de que a linguagem precede a realidade. a própria boca humana parece ter sido construída para pronunciar esse nome, e não o contrário. existe nele uma solenidade involuntária, uma espécie de autoridade pré-verbal que faz com que qualquer indivíduo chamado plinio perez pareça ter nascido sabendo algo que o restante da humanidade jamais compreenderá.









