O governo cancelou R$ 253,9 milhões em verbas do Ministério da Defesa e das Forças Armadas e devolveu R$ 27,4 milhões à própria pasta, num corte líquido de R$ 226,5 milhões. A portaria do Ministério do Planejamento foi assinada na terça-feira (27) e publicada no Diário Oficial na quarta (28), três dias depois do segundo turno. Do total cancelado, R$ 107,7 milhões iriam para o pagamento de militares da ativa do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e R$ 112,7 milhões estavam numa reserva para despesas com pessoal.
O corte faz parte de um remanejamento de R$ 5,17 bilhões, dos quais R$ 4,73 bilhões reforçam o BPC, benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. A Defesa responde por cerca de 4% do dinheiro retirado. As maiores fontes são uma reserva para despesas com pessoal, de R$ 1,23 bilhão, os subsídios ao crédito rural, incluindo o Pronaf, de R$ 1,09 bilhão, e a conta que banca descontos na tarifa de luz, de R$ 621 milhões.
A Saúde aparece com reforço de R$ 388 milhões para medicamentos, mas as mesmas linhas perderam R$ 449 milhões em outros pontos, e o saldo da pasta ficou negativo em R$ 62 milhões. A maior parte é redistribuição entre estados. A Polícia Rodoviária Federal também perdeu verbas de pessoal: R$ 119 milhões.
Como o reforço foi coberto com o cancelamento de outras verbas, o gasto total do governo não aumenta. O tamanho da operação, porém, revela que o dinheiro previsto no orçamento para o BPC não bastaria para pagar o benefício até dezembro, e a conta foi dividida entre dezenas de rubricas de vários ministérios.
A Jetour, marca de carros do grupo chinês Chery, deve anunciar no início de 2027 seu projeto de produção no Brasil. A empresa ainda decide entre construir uma fábrica própria ou usar a capacidade de outra montadora, sem descartar a Omoda Jaecoo, do mesmo grupo. Local, investimento e modelos ainda não foram revelados.
Fabricar no país reduziria o peso dos impostos, tornando os carros mais competitivos, e daria ao consumidor um sinal de que a marca veio para ficar. “Quando você chega e fala que aqui está a produção local é o último passo”, disse o diretor de marketing, Henrique Sampaio. A empresa também prevê lançar híbridos flex, que rodam com gasolina ou etanol, em 2027.
A escala do automóvel ainda é pequena. A Jetour emplacou cerca de 7.400 carros no Brasil neste ano, quer chegar perto de 10 mil até dezembro e passar de 70 para 100 concessionárias. A BYD, que já produz na Bahia, emplacou 22.209 veículos só em setembro.
A Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, vai aumentar em US$ 50 por tonelada o preço da matéria-prima do papel para clientes na Europa e na América do Norte a partir de novembro. Na Europa, o preço de tabela passará a US$ 1.410 por tonelada. A empresa confirmou o reajuste, que já havia sido antecipado por uma fonte do mercado.
Esse é apenas mais um passo numa sequência de altas, já que, neste mês, a companhia já havia elevado os preços em US$ 20 na Ásia e em US$ 50 nas Américas. Mesmo assim, o valor europeu ainda fica abaixo dos US$ 1.430 de maio, quando a Suzano subiu os preços diante da alta dos custos de transporte e insumos provocada pela guerra no Oriente Médio.
As ações da Suzano subiram quase 3% na quinta-feira (29), dia do anúncio. O efeito no resultado da empresa dependerá de os clientes aceitarem os novos preços, e a alta pode encarecer o papel e as embalagens produzidos com a celulose.
A Irani Papel e Embalagem vendeu 11,5% mais papelão ondulado no terceiro trimestre do que um ano antes, mas a um preço médio 1,2% menor, num mercado com oferta e demanda equilibradas. Com isso, a receita líquida cresceu só 5,3%, para R$ 456,6 milhões, e a geração de caixa operacional, 3,9%, para R$ 152 milhões, com margem 0,4 ponto menor.
O lucro, porém, saltou 34,3%, para R$ 56,5 milhões nas operações continuadas. Segundo a empresa, a alta se deve à reavaliação contábil das florestas que ela cultiva para produzir papel, um ganho que aparece no balanço sem representar entrada de dinheiro no caixa.
Enquanto isso, a empresa segue investindo: foram R$ 146,2 milhões no ano até setembro, incluindo o início do projeto de expansão da produção de papel em Minas Gerais. No trimestre, a empresa também recomprou 860,3 mil ações próprias, por R$ 6,7 milhões, e terminou setembro com dívida equivalente a 1,89 vez a geração de caixa anual.
Com juros altos e a economia desacelerando, a dívida das famílias com o sistema financeiro passou, pela primeira vez, de metade da renda de um ano inteiro. O indicador chegou a 50,1% em agosto, o maior da série do Banco Central, iniciada em 2005. A fatia do salário que vai todo mês para o pagamento de dívidas também bateu recorde, em 29%.
O aperto aparece nos atrasos. A inadimplência das pessoas físicas no cartão, no cheque especial e no empréstimo pessoal chegou a 8,1% em setembro, recorde histórico. No Santander, a piora nos cartões, antes concentrada na baixa renda, começou a atingir a classe média. Para a Febraban, a fase mais aguda parece ter passado, mas a inadimplência ainda tende a subir.
O Banco Central anunciou na semana passada medidas para frear a oferta de crédito caro a quem tem renda insuficiente ou atrasos recorrentes, e promete novas regras ainda neste ano. Na quarta-feira (4), o Copom decide a Selic. Economistas esperavam um corte de 0,25 ponto, para 13,5% ao ano, mas a piora dos mercados após a reeleição de Lula aumentou a chance de uma pausa.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, a taxa de desocupação recuou de 5,6% para 5,2%, a menor para o período desde o início da série, em 2012. Foram cerca de 417 mil pessoas deixando a fila do emprego em um ano.
O contingente com carteira assinada no setor privado, por sua vez, se manteve no recorde de 39,4 milhões, enquanto a renda média real subiu 3,6%, e a massa de rendimentos, 4,7%.
A folga veio com um porém: a informalidade subiu de 37,4% para 37,5% da população ocupada, e o mercado de trabalho apertado chega ao Copom de 3 e 4 de novembro no momento em que a inflação em 12 meses voltou a superar o teto da meta.




